Fenômeno holandês estreia no Tour de France em busca do que avô francês nunca conseguiu: a camisa amarela

Por: Portal /ESPN
26/06/2021 - 10:12:23

Texto e foto extráido do portal ESPN / Ciclismo

O fã de ciclismo já conhece bem Mathieu van der Poel. É um holandês que muitos chamam de ‘Alienígena’, por causa das impressionantes vitórias que ele já conseguiu em diferentes modalidades sobre duas rodas: cyclocross, mountain bike e nas provas de estrada. Mas, a partir deste sábado (26), Van der Poel vai atrás do símbolo maior do ciclismo: a camisa amarela de líder do Tour de France.

Só que a história vai além do seu próprio currículo: passa pela sua árvore genealógica. Seu pai foi um bom ciclista, o holandês Adrie van der Poel. Porém, para o Tour de France, é o nome de seu avô materno é que marca mais, o francês Raymond Poulidor.

‘Poupou’, como era chamado, disputou o Tour 14 vezes na carreira. Terminou no pódio em Paris oito vezes. Nunca venceu, tampouco terminou uma etapa em primeiro lugar na geral para ter a honra de vestir a camisa amarela um dia que fosse. Zero. Algo tão surreal que o próprio Poulidor, que morreu em 2019 aos 83 anos, admitiu que talvez tenha feito dele mais famoso do que deveria. Afinal de contas, como pode alguém chegar tão perto tantas vezes sem conseguir a vitória? “O eterno segundo”.

Agora é a vez de Van der Poel tentar a camisa amarela. Diferentemente do avô, ele não terá condições de subir ao pódio da classificação geral no dia 19 de julho, em Paris. Para vencer o Tour de France, é preciso ter um bom desempenho nas altas montanhas e nas duas etapas de contrarrelógio. Em uma outra época, Poulidor conseguia se colocar no páreo, mas essa não é a característica de Mathieu. Ele é extremamente explosivo em subidas curtas e etapas no plano, mas pesado demais para as grandes escaladas — 1,84m e 75 kg (sim, você está lendo certo). E isso é exatamente o que será necessário no primeiro fim de semana do Tour.

A primeira etapa, com largada em Brest para 197 km de corrida, terá vários morros curtos em sequência, terminando em uma subida de 3 km. Um percurso que parece ótimo para ele. Uma nova chance virá no segundo dia, com a chegada no topo do Mur de Bretagne, um morro de 2 km com uma inclinação um pouco maior. Depois, a terceira e a quarta etapas serão planas, e ele poderá ser um candidato a vitória entre os ciclistas mais potentes do mundo.

Quanto mais forte e mais difícil for o ritmo do pelotão, mais ele vai gostar. Foi assim que, no começo do mês, ele venceu duas etapas do Tour da Suíça.

Van der Poel, em 2021, venceu a Strade Bianche e duas etapas da Tirreno-Adriatico, na Itália, uma etapa no Tour dos Emirados Árabes Unidos, e as duas etapas na Suíça. Também foi campeão mundial de cyclocross e ganhou etapas na Copa do Mundo de Mountain Bike. No fim de 2020, venceu, na estrada, o Tour de Flandres, um dos chamados “monumentos” do ciclismo. E, após estrear no Tour, vai atrás do seu principal objetivo deste ano: o ouro olímpico no mountain bike. Tudo isso se faz sobre uma bicicleta, mas é como um jogador ter sucesso no futebol e no futsal, ou no vôlei de quadra e no vôlei de praia.

É raro ter tantas vitórias em modalidades distintas como Van der Poel vem enfileirando, e é por isso que fala-se tanto dele nas conversas sobre ciclismo.

Nesta quinta, durante a apresentação oficial das equipes, Van der Poel e a equipe belga Alpecin-Fenix já fizeram uma primeira homenagem a Poulidor: vestiram uma camisa que fazia alusão ao uniforme usado por Poupou em suas aventuras no Tour de France. Ela não será usada na prova, mas será vendida com a arrecadação destinada a um projeto que apoia jovens ciclistas.

“Meu avô percebeu a minha alegria no ciclismo desde cedo e sempre disse que eu e David [irmão] éramos mais talentosos do que ele era. Hoje, eu gostaria que ele pudesse estar aqui e vivenciar este momento junto com a nossa família”, falou Van der Poel. “Ele sonhava com isso há muito tempo, mas tenho certeza que está orgulhoso como sempre esteve. Eu estou muito feliz por este tributo tão especial a ele e que todos nós possamos dizer ‘Merci Poupou’.”

Agora é assistir no fim de semana para saber se a outra homenagem estará ao alcance de Van der Poel — vestir a camisa que Poupou tantas vezes chegou perto, mas nunca conseguiu colocar as mãos.

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