“A arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um jeito normal”.
Esse é um dos pensamentos do poeta moderno Raul Seixas, nascido em 1972 no celeiro cultural brasileiro, a capital Salvador. É da era geração tropicália, mas foi pelo rock’and roll por quem se apaixonou. Logo cedo Raul rabiscava poemas, devorava livros e se destacava com idéias muito a frente de seu tempo, prova disso é o legado musical deixado que até hoje reúne fãs.
Sua poesia propunha uma revolução interior no homem, trazendo a tona questionamentos filosóficos já carimbados, mas encobertos pela poeira do tempo. A irreverência mutante de Raul deixava claro para os fãs que ele não era somente cantor e compositor, assim, em 1974 resolveu ser “a mosca na sopa” no contexto da época e divulga a tão sonhada Sociedade Alternativa, com saudoso escritor Paulo Coelho. Raul foi preso e torturado pelo DOPS - Departamento de Ordem Política e Social – criado no Estado Novo com o objetivo reprimir movimentos sociais e políticos. Paulo e Raul lideraram a juventude romântica e frágil daquele tumultuado período. Foram exilados, mas com retorno triunfal, sendo convidados pelo próprio governo e com uma de suas obras de mais sucesso, Gitã, que lhe rendeu 600.000 cópias e disco de ouro.

“Há dez mil anos atrás” representa uma nova era comportamental de uma juventude, dita até como contracultura brasileira na época, mas que na verdade almejava a exposição de seus ideais, titulados como os experimentadores da vida. O Maluco Beleza entendia e desentendia a vida e inventava o que acreditar, seja real ou irreal. Um artista místico, poético, carinhoso ao detalhes do ser, mas ligado a uma “metamorfose ambulante”, que gravou em seus amantes o retrato de uma poesia heróica e fulminante para a época. E a marca está ai, após 20 anos de sua morte, Raul está vivo na música brasileira e eternizado no público.
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