
Mercado físico teve ajustes positivos, com a oferta de animais prontos para abate ainda restrita
Por: Raphael Salomão
São Paulo
O preço do boi gordo voltou a subir na quarta-feira (11/10), depois de indicar alguma estabilidade nos últimos dias em parte das praças de negociação. Na semana mais curta, por causa do feriado, o mercado físico teve ajustes positivos, com a oferta de animais prontos para abate ainda restrita e a indústria sem conseguir superar a média de sete dias nas escalas.
“Em uma semana mais curta por causa do feria nacional, as movimentações positivas voltaram a acontecer no mercado físico de boi gordo. A redução da oferta dificulta as compras e a formação de programações de abate”, destaca, em boletim, a consultoria Agrifatto.
Em São Paulo, o boi pronto foi cotado a R$ 236,30 a arroba na quarta-feira (11/10), informa a Agrifatto. Em relação ao dia anterior, uma alta de 1,5%. O valor está acima da referência medida pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que encerrou o dia a R$ 233,05 e passou a acumular baixa de 1,31%.
De qualquer forma, a referência medida pela instituição vem se mantendo acima dos R$ 230 por arroba desde o fim de setembro, mês marcado por forte alta nos preços do boi gordo. Além da redução da oferta de animais, as exportações vêm ajudando a sustentar as cotações, explicam os pesquisadores do Cepea, em nota.
Com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio (Secex/MDIC), eles destacam que as exportações de carne bovina in natura somaram 38,11 mil toneladas na primeira semana de outubro, uma média diária de 7,62 mil. A continuar neste ritmo, os embarques devem somar 160 mil toneladas no acumulado do mês.
“Em setembro, o Brasil embarcou o segundo maior volume da história para o mês. De acordo com pesquisadores do Cepea, esse cenário atrelado à redução na oferta de animais para abate vêm sustentado os preços da arroba do boi gordo negociado no mercado interno”, resume o Cepea, em nota.
Em Mato Grosso, só na semana passada, o preço médio da arroba teve alta de 3,27%, com a cotação chegando a R$ 195,76. A vaca gorda acompanhou a tendência e subiu 2,08% no período, cotada a R$ 174,88 a arroba. Os dados são do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). No estado, as escalas de abate caíram mais de 14% e estão pouco acima dos sete dias em média.
Na B3, os contratos negociados com vencimento para ainda este ano seguem apontando preços acima dos R$ 240 a arroba, indicando que ainda há espaço para uma subida de preços do boi.
Mercado internacional
Em seu boletim, a Agrifatto destaca que, no mercado internacional, o boi gordo também está em alta. Na Austrália, só na última semana, houve alta de 10%, um indicativo, segundo os analistas, de que o período de desvalorização pode ter chegado ao fim.
Na Argentina, por exemplo, as cotações em Buenos Aires e Tres Lomas subiram 9,6% e chegaram a US$ 68,30 por arroba. O país lidera a valorização no Mercosul, depois da habilitação de novas plantas frigoríficas terem sido habilitadas a exportar para a China.
Os chineses são os principais importadores da carne bovina brasileira, mas diminuíram o ritmo neste ano, como mostra levantamento da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base em dados da Secex. No acumulado do ano até setembro, o país asiático comprou 860,9 mil toneladas, 6,85% a menos que no mesmo período no ano passado. O preço médio caiu 27,6%, para US$ 4,85 mil por tonelada.
O Imea avalia que a expectativa é de maior demanda da China por carne bovina, com a aproximação da festa do Ano Novo Chinês.
“Com a aproximação do Ano Novo Chinês, a China tende a aumentar o volume importado da proteína vermelha, uma vez que esse é um importante feriado para o país, que movimenta o consumo de carne”, informam os técnicos, em boletim.